Setor de desentupimento cresceu 25% em BH em 2025: o que os dados do Selur-MG revelam sobre a infraestrutura urbana
Na cobertura de desenvolvimento urbano pela Acrescentando, um dado do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana de Minas Gerais (Selur-MG) chamou atenção nos primeiros meses do ano: o setor de desentupimento e limpeza de tubulações registrou crescimento de 25% na região metropolitana de Belo Horizonte no primeiro semestre de 2025. Números assim raramente aparecem em um único setor de serviços em tão curto prazo. Para quem cobre a cidade, o dado pede explicação. Para quem mora nela, pede atenção.
O crescimento não veio de expansão espontânea do mercado. Veio de pressão acumulada. Décadas de infraestrutura envelhecendo sem manutenção adequada somadas a um inverno chuvoso fora do padrão criaram uma demanda que o setor mal conseguiu absorver no pico. Empresas tiveram que correr para ampliar frota, contratar técnicos e adquirir equipamentos de diagnóstico avançado para responder ao volume de chamados emergenciais que chegaram de uma vez só.
A reportagem do Correio Braziliense sobre o crescimento do setor de desentupimento em BH, publicada em agosto de 2025, documenta os fatores estruturais e tecnológicos que moldaram esse movimento, com dados do Selur-MG e relatos de operadores do mercado.
Quais fatores explicam o crescimento de 25% no primeiro semestre?

Dois fatores principais se combinaram. O primeiro é estrutural: grande parte dos edifícios residenciais e comerciais de Belo Horizonte tem redes internas de esgoto com mais de 30 anos. Na região central e em bairros tradicionais como Funcionários e Savassi, muitos prédios ainda operam com tubulações de ferro fundido e manilhas cerâmicas, materiais que começam a apresentar falhas significativas após três décadas de uso. A topografia acidentada da cidade agrava o desgaste: o declive acentuado acelera o fluxo dos efluentes, mas o resíduo sólido pesado fica preso nas curvas de 90 graus, e o bloqueio crônico se instala progressivamente.
O segundo fator foi climático e pontual. As fortes chuvas que atingiram a região metropolitana entre dezembro de 2024 e março de 2025 sobrecarregaram o sistema de drenagem urbano. A topografia de BH acelerou o escoamento e carregou detritos das ruas para as tubulações particulares nos pontos baixos da cidade, especialmente na região da Pampulha e nos bairros próximos aos córregos. Só em janeiro, as empresas do setor registraram aumento de 40% nas chamadas emergenciais em relação à média de períodos normais.
A conjunção dos dois fatores produziu uma demanda que o mercado não tinha capacidade instalada para absorver integralmente. Empresas investiram para adequar a oferta. Profissionalização do setor acelerou.
Como a demanda se distribui entre os segmentos de clientes?
Os dados do setor mostram que 65% dos atendimentos são feitos em residências. Estabelecimentos comerciais respondem por 25% e o segmento industrial por 10%. Essa distribuição reflete a composição urbana de BH: cidade de bairros residenciais densos, com grande número de edificações antigas em regiões valorizadas. Os problemas mais frequentes são entupimentos de pias de cozinha por gordura acumulada, vasos sanitários obstruídos e tubulações de esgoto bloqueadas por raízes de árvores.
No segmento residencial, condomínios da Savassi e do Belvedere começaram a adotar cronogramas semestrais de limpeza das tubulações, comportamento que antes era quase exclusivo de edifícios corporativos. Carlos Mendes, síndico profissional que administra 15 edifícios na zona sul da capital, implementou essa prática e relata redução expressiva nos chamados emergenciais desde então. Emergências hidráulicas em condomínios podem custar até três vezes mais do que um contrato preventivo anual, segundo seu relato direto.

| Indicador | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Crescimento do setor no 1.º semestre de 2025 | 25% | Selur-MG |
| Aumento de chamados emergenciais em janeiro de 2025 | 40% acima da média normal | Empresas do setor (Correio Braziliense, 2025) |
| Participação do segmento residencial na demanda | 65% | Setor (Correio Braziliense, 2025) |
| Participação do segmento comercial | 25% | Setor (Correio Braziliense, 2025) |
| Participação do segmento industrial | 10% | Setor (Correio Braziliense, 2025) |
| Investimento em equipamentos (Desentupidora Técnica) | R$ 800 mil nos últimos dois anos | Empresa (Correio Braziliense, 2025) |
| Entupimentos graves evitáveis com manutenção preventiva | 80% | André Costa, técnico especializado (Correio Braziliense, 2025) |
| Projeção de crescimento no 2.º semestre de 2025 | 15% | Selur-MG |
O que a modernização tecnológica do setor representa para os consumidores?
Por muito tempo, desentupimento era sinônimo de método empírico. O técnico chegava, usava uma sonda, tentava. Se não funcionava, quebrava o piso para ver onde estava o problema. A Desentupidora Técnica, que investiu R$ 800 mil em novos equipamentos, ilustra o novo padrão: câmeras de inspeção subaquáticas, sistemas de hidrojateamento de alta pressão e equipamentos de ultrassom substituíram progressivamente esse diagnóstico por tentativa e erro.
A câmera endoscópica desce pelo cano e grava em alta resolução. O técnico vê a raiz, a trinca, o objeto preso na curva. O ponto exato da anomalia é localizado por radiofrequência na superfície. A intervenção civil, quando necessária, ocorre em um quadrado de 40 centímetros. Para o proprietário ou síndico, isso significa menos tempo de obra, menos poeira, menos custo e mais precisão no diagnóstico.
O hidrojateamento eliminou a dependência de produtos químicos para desobstrução de gordura calcificada. A pressão da água, que pode chegar a 10.000 PSI, corta o biopolímero aderido às paredes internas do cano sem impacto contuso na tubulação. O sistema usa água pura, sem aditivos. O resultado é mais eficiente, menos agressivo ao cano e sem geração de vapores tóxicos no ambiente.
Quais são os desafios que o crescimento do setor ainda não resolveu?
O crescimento acelerado expôs um gargalo que o setor não tinha: falta de mão de obra qualificada. O trabalho exige conhecimento técnico de hidráulica, familiaridade com equipamentos de pressão e disposição para atender em condições adversas, inclusive em chamados noturnos. Maria Aparecida Santos, proprietária da Desentupidora Rápida e presidente da Associação das Empresas de Desentupimento de Minas Gerais, relata dificuldade crescente para encontrar técnicos experientes no mercado de BH.
A fiscalização ambiental também se intensificou. Empresas precisam de licenças da Vigilância Sanitária municipal e estadual e contratos com prestadores especializados no tratamento dos efluentes coletados durante os serviços. Após episódios de descarte irregular em córregos e terrenos baldios por parte de operadores informais, a fiscalização aumentou, e empresas sem licenciamento ativo correm risco de interdição.
Para o consumidor, esse quadro cria uma distinção importante: contratar pelo preço mais baixo encontrado em buscas online, sem verificar o licenciamento da empresa, pode resultar em um serviço tecnicamente inferior, sem garantia de descarte adequado dos resíduos, e com risco de danos ocultos à tubulação que só aparecerão semanas depois.

Atendimento emergencial versus contrato preventivo: comparativo de custos e riscos
| Aspecto | Atendimento Emergencial | Contrato Preventivo |
|---|---|---|
| Custo médio por intervenção | Até três vezes maior do que o contrato anual | Custo fixo anual ou semestral, geralmente menor por visita |
| Disponibilidade | Sujeito a fila de espera em períodos de pico (como janeiro de 2025) | Agendamento programado, sem concorrência com emergências |
| Diagnóstico | Foco no bloqueio imediato; problemas subjacentes podem não ser detectados | Inspeção completa por câmera; mapeamento de pontos de risco antes da falha |
| Risco de dano estrutural | Alto quando a pressão hidrostática já forçou conexões | Baixo quando o serviço ocorre antes do ponto crítico |
| Impacto na rotina | Interrupção não planejada do uso da rede hidráulica | Interrupção programada, em horário combinado com os moradores |
| Percentual de entupimentos graves que o preventivo evita | — | 80%, segundo técnicos especializados do setor em BH |
Dúvidas frequentes sobre o setor de desentupimento em Belo Horizonte
O crescimento de 25% no setor significa que há mais problemas nas tubulações de BH do que antes?
Em parte, sim. A infraestrutura está mais velha e as chuvas de 2024-2025 foram excepcionalmente intensas. Mas o crescimento também reflete aumento da conscientização sobre manutenção preventiva entre proprietários e síndicos. Uma parcela dos novos contratos é preventiva, o que melhora o indicador de saúde urbana a médio prazo, mesmo que o número absoluto de atendimentos suba no curto prazo.
Como saber se uma empresa de desentupimento em BH tem o licenciamento ambiental em dia?
Solicitar diretamente o número da licença emitida pela Vigilância Sanitária municipal (BHTrans ou SMMA, dependendo do tipo de serviço) e o contrato com a empresa de tratamento de efluentes. Empresas sérias fornecem essa documentação sem resistência. A ausência de resposta objetiva a essa pergunta é um sinal de que a empresa opera informalmente.
O aumento de 40% nas chamadas em janeiro de 2025 foi exclusivo de BH ou aconteceu em outras cidades?
O dado registrado pelas empresas que atuam em BH reflete o impacto local das chuvas e da topografia específica da capital mineira. Outras cidades da região metropolitana também registraram aumento, mas BH concentrou a maior parte dos chamados por ter a combinação de infraestrutura mais antiga e relevo mais acidentado da região.
Qual é a diferença entre os serviços de uma desentupidora convencional e uma empresa com caminhão auto-vácuo?
A desentupidora convencional atua em ramais internos com sondas mecânicas e hidrojateamento de pequeno porte. O caminhão auto-vácuo aspira o conteúdo de caixas de passagem, fossas, caixas de gordura e galerias de drenagem pluvial. São serviços complementares. Em condomínios e prédios comerciais, o contrato preventivo frequentemente combina os dois, com a vácuo para caixas externas e a sonda para ramais internos.
A escassez de mão de obra técnica no setor afeta o prazo de atendimento?
Afeta, especialmente em períodos de alta demanda. Em janeiro de 2025, empresas chegaram a ter filas de espera para chamados que não configuravam emergência imediata. Contratos preventivos com agendamento antecipado garantem atendimento fora dos picos de demanda e eliminam a dependência da disponibilidade operacional no momento da crise.
Quais obras estruturais podem ser necessárias quando o diagnóstico por câmera identifica trincas em tubulações antigas?
Depende da localização e extensão da trinca. Quando identificada em ramal interno de PVC, a troca da seção danificada pode ser feita abrindo apenas o ponto afetado. Quando está em coluna coletora de ferro fundido ou manilha de barro, a avaliação de um engenheiro sanitarista é necessária para definir entre substituição parcial, revestimento interno com resina por técnica de liner, ou substituição completa da coluna. A câmera elimina a necessidade de demolir para encontrar o problema; não elimina a obra quando ela é inevitável.
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