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Medo de dentista: dicas práticas para perder o receio e cuidar dos dentes

Muita gente só marca dentista quando a dor já não deixa dormir. Nem sempre é falta de tempo ou de dinheiro. Em muitos casos, o que afasta a pessoa do consultório é medo: do barulho do motor, da agulha, de sentir dor ou de ouvir uma bronca pela falta de cuidado. O resultado é um ciclo conhecido. O problema cresce, o tratamento fica maior e mais desconfortável, e a experiência ruim reforça o medo.

Aqui no Acrescentando, a proposta é reunir dicas úteis para o dia a dia, e perder o medo de dentista é uma das mais valiosas para a saúde. A odontologia mudou muito nas últimas décadas, e boa parte do que as pessoas temem já não corresponde ao que acontece numa consulta hoje.

Em Belo Horizonte, a Clínica Odontológica BH, do Dr. Carlos Henrique Martins de Oliveira, no bairro Dom Bosco, tem como proposta justamente desvincular a visita ao dentista da ideia de dor e sofrimento. A seguir, o que ajuda a enfrentar o medo e o que esperar de cada tipo de tratamento.

De onde vem o medo de dentista

O medo costuma ter origem em uma experiência ruim, muitas vezes na infância. Uma extração difícil, uma anestesia que não pegou ou um profissional impaciente ficam na memória por décadas. Outras pessoas nunca passaram por nada grave, mas cresceram ouvindo histórias assustadoras de parentes e amigos.

Há também quem se incomode com a sensação de perder o controle. Ficar deitado, com a boca aberta, sem conseguir falar e sem ver o que está acontecendo é desconfortável para muita gente. E existe o constrangimento: quem ficou anos sem ir ao dentista teme ser julgado pelo estado dos dentes.

Em graus mais intensos, esse medo recebe o nome de odontofobia. A pessoa sente ansiedade só de marcar a consulta, tem taquicardia na sala de espera e adia o tratamento até a situação ficar grave. Reconhecer esse medo e falar sobre ele é o primeiro passo. Em casos mais intensos, o acompanhamento com um psicólogo também pode ajudar.

O que mudou na odontologia

A anestesia local ficou mais eficiente e confortável. Antes da injeção, o dentista pode aplicar um anestésico tópico em gel, que deixa a gengiva dormente e reduz a sensação da agulha. Injetar devagar também diminui o desconforto.

O tratamento de canal, que tem fama de ser o pior procedimento, hoje costuma ser feito com limas acionadas por motor elétrico, que limpam o canal de forma mais rápida e previsível. Muitos canais são concluídos em uma única sessão. Na prática, o canal serve para acabar com a dor causada pela inflamação do nervo, e não para provocá-la.

A moldagem com massa, que causava ânsia em muitos pacientes, vem sendo substituída pelo escaneamento intraoral, uma pequena câmera que registra a boca em 3D. E para quem tem muita ansiedade, existe a sedação consciente com óxido nitroso, aplicada por dentistas habilitados. O paciente continua acordado e respirando sozinho, mas fica mais relaxado durante o atendimento.

Estratégias que ajudam a enfrentar a consulta

Algumas atitudes simples fazem muita diferença. A tabela abaixo reúne os medos mais comuns e o que costuma ajudar em cada um:

Medo O que costuma ajudar
Sentir dor durante o procedimento Anestésico tópico antes da injeção, anestesia bem feita e combinar um sinal para pausar
Barulho do motor Fones de ouvido com música, quando o dentista permitir
Perder o controle da situação Pedir que o dentista explique cada etapa antes de fazer
Agulha Avisar o dentista, não olhar para a seringa e usar anestesia tópica
Ser julgado pelo estado dos dentes Lembrar que o dentista está ali para tratar, e contar o motivo da ausência
Ansiedade intensa Consultas mais curtas, horários tranquilos e, se indicado, sedação consciente

Contar ao dentista que você tem medo é a dica mais importante. Um bom profissional ajusta o ritmo, explica o que vai fazer e respeita as pausas. Combinar um sinal com a mão para interromper o procedimento dá ao paciente a sensação de controle que muitas vezes falta.

Marcar a consulta no início do dia evita passar horas pensando nela. Chegar alguns minutos antes, sem pressa, e evitar café em excesso também ajuda quem fica agitado. Levar alguém de confiança pode dar segurança, principalmente na primeira visita depois de muito tempo.

Respiração e relaxamento na cadeira

Técnicas simples de respiração ajudam a controlar a ansiedade durante a consulta. Uma delas é inspirar devagar pelo nariz contando até quatro, segurar o ar por um instante e soltar pela boca ou pelo nariz contando até seis. Repetir algumas vezes antes de sentar na cadeira e nos intervalos do procedimento reduz a tensão no corpo.

Outra estratégia é relaxar os músculos de propósito: apertar as mãos por alguns segundos e soltar, fazer o mesmo com os ombros e as pernas. Muita gente passa a consulta inteira com o corpo contraído sem perceber, e isso aumenta o desconforto. Levar uma música tranquila no fone ou focar a atenção num ponto do teto também ajuda a mente a sair do motor e da cadeira.

Adiar o tratamento torna tudo mais difícil

O medo faz muita gente esperar até a dor ficar insuportável. O problema é que um dente muito inflamado é justamente o caso em que a anestesia demora mais a agir, e o tratamento costuma ser maior do que seria se a pessoa tivesse ido antes. Uma cárie pequena resolvida com uma restauração rápida pode virar, meses depois, um canal ou uma extração.

Consultas regulares, a cada seis meses ou no intervalo indicado pelo dentista, permitem encontrar os problemas cedo, quando o tratamento é simples e rápido. Com o tempo, essas visitas sem dor ajudam a reconstruir a relação com o dentista.

O que esperar de cada tratamento

Parte do medo vem de não saber o que vai acontecer. Saber o que é normal sentir em cada procedimento reduz a ansiedade:

Procedimento Durante Depois
Limpeza e remoção de tártaro Vibração e sensação de raspagem, sem dor na maioria dos casos Gengiva pode ficar sensível por um ou dois dias
Restauração Com anestesia, sente-se apenas pressão e vibração Leve sensibilidade ao frio por alguns dias
Tratamento de canal Com anestesia, sente-se pressão, mas não dor Desconforto ao mastigar por alguns dias, controlado com analgésico
Extração simples Pressão forte, sem dor com a anestesia Dor e inchaço leves nos primeiros dias
Implante dentário Feito com anestesia local; alguns pacientes optam por sedação Inchaço e desconforto por alguns dias
Clareamento Sem dor; algumas pessoas sentem sensibilidade Sensibilidade passageira ao frio

Crianças: como evitar que o medo comece

Boa parte dos adultos com medo de dentista teve a primeira experiência ruim na infância. Por isso vale levar a criança ao dentista cedo, antes de ter dor, para que a primeira lembrança seja uma consulta tranquila. O odontopediatra está acostumado a apresentar os instrumentos, deixar a criança tocar e explicar tudo com linguagem simples.

Evite usar o dentista como ameaça, com frases como “se não escovar, o dentista vai furar seu dente”. Também não conte suas próprias experiências ruins na frente dela. E não prometa que “não vai doer nada” quando não sabe o que será feito. Dizer que o dentista vai cuidar dos dentes e que ela pode avisar se algo incomodar funciona melhor.

Voltar ao dentista depois de muitos anos

Quem ficou muito tempo longe do consultório costuma ter vergonha de voltar. Não precisa. A primeira consulta pode ser só uma conversa e uma avaliação, sem nenhum procedimento. O dentista examina a boca, pede radiografias se necessário e monta um plano de tratamento em etapas, começando pelo que é mais urgente.

Dividir o tratamento em consultas mais curtas ajuda a construir confiança. Começar por uma limpeza, que costuma ser tranquila, é uma boa forma de retomar o hábito antes de procedimentos maiores.

Perguntas frequentes

A anestesia do dentista dói?

A picada pode ser sentida, mas o anestésico tópico em gel aplicado antes reduz bastante a sensação. Injetar devagar também diminui o desconforto. Depois que a anestesia faz efeito, o procedimento não deve doer.

E se a anestesia não pegar?

Avise o dentista. Em dentes muito inflamados, a anestesia pode demorar mais a fazer efeito ou precisar de reforço. O dentista pode complementar a anestesia ou usar outra técnica antes de continuar.

O que é sedação com óxido nitroso?

É um gás inalado por uma pequena máscara no nariz, que causa relaxamento. O paciente continua acordado, responde ao dentista e respira sozinho. O efeito passa poucos minutos depois que a máscara é retirada. Só dentistas habilitados podem aplicar.

Tenho vergonha do estado dos meus dentes. O que faço?

Conte isso ao dentista logo no início. O papel dele é tratar, não julgar. Muitos pacientes voltam depois de anos, e um plano em etapas ajuda a resolver os problemas aos poucos.

Posso levar alguém comigo na consulta?

Na maioria dos consultórios, sim, principalmente na primeira visita. Pergunte na hora de marcar. Ter alguém de confiança por perto ajuda muitos pacientes a se sentirem mais seguros.

Quando levar a criança ao dentista pela primeira vez?

O ideal é levar quando nascem os primeiros dentes, por volta do primeiro ano de vida, e manter consultas regulares. Assim a criança se acostuma com o ambiente antes de ter qualquer dor.

 

 

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Escrito por

Redação Acrescentando

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